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Consult Contabilidade

Férias coletivas no fim do ano: 7 decisões que as empresas precisam tomar ainda em setembro

21 de setembro de 2026
Contábeis

Embora a legislação não estabeleça setembro como prazo para planejar as férias coletivas de fim de ano, deixar essa decisão para novembro ou dezembro pode comprometer o cumprimento das obrigações trabalhistas.

Antes de definir a paralisação, a empresa precisa verificar quais empregados serão abrangidos, quantos dias cada um possui, qual será o impacto para os contratados há menos de 12 meses e quais comunicações deverão ser realizadas.

A medida também exige planejamento financeiro. Além da remuneração das férias e do adicional constitucional de um terço, o fim do ano concentra o pagamento do 13º salário e os encargos incidentes sobre a folha.

 

Confira sete decisões que devem ser antecipadas.

 

1. A paralisação será férias coletivas ou recesso?

A primeira decisão é definir a natureza do período em que a empresa pretende interromper as atividades.

 

Nas férias coletivas, os dias são descontados do direito de férias dos empregados e devem ser observadas as regras dos artigos 139 e seguintes da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

O recesso concedido pelo empregador tem tratamento diferente. Em regra, corresponde a um período de dispensa remunerada e não pode ser unilateralmente descontado das férias dos trabalhadores como se fosse férias coletivas.

 

A empresa também não deve confundir férias coletivas com:

  • compensação de jornada;
  • utilização de banco de horas;
  • férias individuais concedidas simultaneamente;
  • folga concedida por liberalidade;
  • paralisação sem remuneração.

Cada alternativa possui requisitos próprios. A denominação dada pela empresa não prevalece sobre a forma como a paralisação foi efetivamente organizada.

 

2. Toda a empresa vai parar ou somente determinados setores?

A CLT permite que as férias coletivas sejam concedidas a todos os empregados ou somente aos trabalhadores de determinados estabelecimentos ou setores.

Isso significa que a empresa não é obrigada a interromper integralmente suas atividades. Pode, por exemplo, conceder férias coletivas à produção e manter os setores administrativo e comercial em funcionamento.

A definição, entretanto, deve ser objetiva. A comunicação ao Ministério do Trabalho e Emprego precisa informar quais estabelecimentos ou setores serão alcançados.

 

Antes de decidir, a empresa deve mapear:

  • quais atividades continuarão funcionando;
  • quantos empregados permanecerão trabalhando;
  • se haverá necessidade de escala;
  • se trabalhadores de um mesmo setor receberão tratamento diferente;
  • quais unidades ou filiais serão abrangidas;
  • se a convenção coletiva estabelece alguma condição específica.

A seleção de empregados isolados, sem que exista uma delimitação real por estabelecimento ou setor, pode descaracterizar a natureza coletiva da medida. Se a intenção for conceder férias apenas a trabalhadores determinados, o caso deve ser analisado como férias individuais.

 

3. Quais serão as datas e quantos dias serão concedidos?

As férias coletivas podem ser usufruídas em até dois períodos anuais. Cada período deve ter, no mínimo, dez dias corridos.

 

A empresa deve definir previamente:

  • data de início;
  • data de término;
  • quantidade de dias;
  • estabelecimentos ou setores abrangidos;
  • eventual divisão em dois períodos;
  • data de retorno ao trabalho.

A contagem é feita em dias corridos, incluindo sábados, domingos e feriados situados dentro do período.

 

Como as férias coletivas possuem regra própria de duração mínima, a empresa não deve aplicar automaticamente o fracionamento das férias individuais, no qual um dos períodos precisa ter ao menos 14 dias e os demais, no mínimo, cinco dias.

Também é necessário verificar a norma coletiva da categoria. Convenções e acordos coletivos podem estabelecer procedimentos adicionais, períodos específicos de paralisação ou condições mais favoráveis aos trabalhadores.

 

4. Quantos dias cada empregado possui?

Antes de confirmar as datas, o Departamento Pessoal deve levantar a situação individual dos empregados que serão abrangidos.

 

A conferência deve identificar:

  • período aquisitivo de cada trabalhador;
  • saldo de férias disponível;
  • férias vencidas;
  • férias já usufruídas ou programadas;
  • faltas injustificadas que possam afetar a quantidade de dias;
  • afastamentos ocorridos durante o período aquisitivo;
  • empregados contratados há menos de 12 meses;
  • trabalhadores que retornarão de afastamento próximo à paralisação.

Esse levantamento é necessário porque as férias coletivas não produzem exatamente o mesmo efeito para todos.

 

Empregados que já completaram o período aquisitivo utilizam os dias correspondentes ao direito adquirido. Se o período coletivo for inferior ao total devido, o saldo poderá ser concedido posteriormente, observadas as regras legais.

Já os empregados que ainda não completaram 12 meses de contrato seguem tratamento específico.

 

5. Como tratar os empregados com menos de 12 meses?

De acordo com o artigo 140 da CLT, os empregados contratados há menos de 12 meses usufruem férias proporcionais durante as férias coletivas. Depois disso, inicia-se um novo período aquisitivo.

A regra exige cuidado porque altera a data utilizada para o controle das próximas férias do trabalhador.

 

O escritório contábil deve receber com antecedência:

  • data de admissão;
  • períodos de afastamento;
  • faltas que possam interferir no direito;
  • quantidade proporcional de dias;
  • duração total das férias coletivas.

Se a paralisação coletiva for superior ao período proporcional a que o empregado tem direito, a empresa não deve simplesmente criar um saldo negativo para desconto em férias futuras. O tratamento dos dias excedentes deve ser analisado conforme a legislação e a norma coletiva aplicável, sem redução indevida da remuneração do trabalhador.

Também é importante explicar ao empregado que o novo período aquisitivo começa após as férias coletivas, evitando divergências futuras sobre o vencimento das próximas férias.

 

6. Será permitida a conversão de dias em abono?

Nas férias individuais, o empregado pode converter um terço do período em abono pecuniário, desde que apresente o pedido no prazo legal.

Nas férias coletivas, a regra é diferente. O artigo 143, parágrafo 2º, da CLT determina que a conversão em abono seja objeto de acordo coletivo entre o empregador e o sindicato representativo da categoria profissional.

Portanto, não basta reunir pedidos individuais dos empregados. Se a empresa pretende permitir a conversão de parte das férias coletivas em dinheiro, deverá verificar previamente a negociação com o sindicato.

 

A empresa também precisa consultar a convenção ou o acordo coletivo para identificar:

  • regras sobre abono;
  • procedimentos de comunicação;
  • condições para a paralisação;
  • eventual pagamento de benefícios durante as férias;
  • disposições específicas sobre empregados com menos de 12 meses.

 

7. Como serão feitas as comunicações e os pagamentos?

A empresa que conceder férias coletivas deverá comunicar a medida ao órgão local do Ministério do Trabalho e Emprego com antecedência mínima de 15 dias.

 

A comunicação deve informar:

  • datas de início e término;
  • estabelecimentos abrangidos;
  • setores alcançados pela paralisação.

O procedimento pode ser realizado pelo serviço Comunicar Férias Coletivas, disponível no portal Gov.br. A página oficial do serviço foi atualizada em 25 de agosto de 2026.

No mesmo prazo de 15 dias, o empregador deve encaminhar cópia da comunicação aos sindicatos representativos das categorias profissionais e afixar avisos nos locais de trabalho.

As microempresas e empresas de pequeno porte estão dispensadas de comunicar as férias coletivas ao Ministério do Trabalho, conforme o artigo 51, inciso V, daLei Complementar nº 123/2006.

A dispensa alcança especificamente a comunicação ao MTE. Ela não afasta automaticamente os demais procedimentos previstos na CLT, especialmente a informação ao sindicato e aos trabalhadores, nem eventuais exigências da norma coletiva.

A remuneração das férias, acrescida de um terço, deve ser paga até dois dias antes do início do período. Para trabalhadores com remuneração variável, a CLT estabelece critérios de médias conforme a natureza do salário e das parcelas recebidas.

 

Planejamento precisa incluir o caixa da empresa

A concessão das férias coletivas produz desembolso antes do início da paralisação. No fim do ano, esse pagamento pode coincidir com a segunda parcela do 13º salário, que vence até 20 de dezembro, além dos encargos e da folha mensal.

 

A empresa deve projetar separadamente:

  • remuneração das férias;
  • adicional constitucional de um terço;
  • médias de parcelas variáveis;
  • segunda parcela do 13º salário;
  • encargos trabalhistas e previdenciários;
  • benefícios mantidos durante o período;
  • folha dos empregados que continuarão trabalhando.

O planejamento em setembro não é uma exigência legal, mas concede tempo para que a empresa avalie o impacto financeiro, consulte os instrumentos coletivos e forneça ao Departamento Pessoal as informações necessárias.

 

Checklist para decidir as férias coletivas

Antes de confirmar a paralisação, a empresa deve responder:

  • será férias coletivas ou recesso remunerado?
  • toda a empresa será abrangida ou somente alguns setores?
  • quais serão as datas de início e término?
  • todos os empregados possuem saldo suficiente?
  • há trabalhadores com menos de 12 meses?
  • haverá abono pecuniário negociado com o sindicato?
  • a convenção coletiva prevê alguma regra específica?
  • quem fará as comunicações obrigatórias?
  • o caixa comporta férias, um terço, 13º e encargos no mesmo período?

A decisão antecipada reduz a necessidade de correções na folha e evita que uma paralisação planejada apenas como fechamento de fim de ano seja executada sem os requisitos das férias coletivas.

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